Em 2025, mais de 100 mil candidatos do Enem solicitaram algum tipo de atendimento especializado, incluindo recursos como tempo adicional, leitura labial, intérprete de Libras, mesa adaptada e salas de menor circulação. O dado evidencia tanto a necessidade quanto o impacto de políticas de acessibilidade no ingresso à educação superior.

Entre os candidatos está Victor Hugo Mendes Lima, 24 anos, que realizou a prova pela primeira vez após anos de acompanhamento terapêutico e apoio familiar. Diagnosticado tardiamente com autismo, ele encontrou nas intervenções terapêuticas e na construção de autonomia a motivação e a segurança necessárias para buscar uma nova etapa em sua vida acadêmica.

“Sempre tive interesse, mas nunca tive coragem de realizar o exame. Fui muito incentivado por todos os profissionais que cuidam de mim na clínica”, afirma Victor com empolgação.

A mãe, Angela Mendes, relata que o momento foi histórico para a família: “Nos sentimos muito gratos, pois sempre sonhávamos com este dia. Foi uma emoção tão grande que saímos chorando e pulando de tão felizes.”

A importância das adaptações para o desempenho do participante

O aumento de jovens neurodivergentes na avaliação evidencia um movimento da sociedade em direção à equidade educacional. As adaptações no ambiente da prova e a preparação emocional fazem toda a diferença no desempenho e na experiência dos candidatos.

“Se descobrir autista, mesmo que tardiamente, é descobrir a sua identidade. Se descobrir também é uma forma de libertação”, afirma Tatianna Wanderley, diretora e idealizadora da Fono com Amor.

Victor é acompanhado na unidade Lírios, da Fono com Amor, dedicada ao atendimento de adolescentes, jovens e adultos. A terapeuta ocupacional Maria Silva o acompanha há cerca de dez meses, desempenhando um papel transformador nessa jornada.

“Maria está na Fono com Amor desde a época de estágio e é considerada pela família uma profissional diferenciada, formada dentro da clínica, muito querida por Victor e essencial em seu progresso”, reforça Angela.

Um passo rumo às oportunidades e à representatividade

Realizar o Enem representou para Victor não apenas um desafio acadêmico, mas também um marco de autonomia e amadurecimento. Apesar das dificuldades naturais da prova, ele foi capaz de se organizar emocionalmente e completar as etapas: “Tive um pouco de dificuldade enquanto fazia o exame, mas foi administrável. Após o exame, senti dor de cabeça, mas estava tudo bem.”

A história de Victor ressalta como apoio clínico, orientação especializada, acessibilidade e acolhimento familiar formam um conjunto poderoso capaz de transformar vidas e garantir que mais jovens neurodivergentes possam sonhar com o ensino superior.

“Quanto mais portas abertas, quanto mais acessibilidade, com certeza as pessoas autistas e com outras deficiências irão em busca da realização de sonhos. Eles sonham também, eles têm planos, eles desejam um futuro”, finaliza Tatianna, reforçando que a inclusão é um caminho concreto para ampliar oportunidades e transformar trajetórias.

Acompanhamento que incentiva e empodera

Na Rede Fono com Amor, oferecemos um acompanhamento especializado para estimular o desenvolvimento e a autonomia de crianças, jovens e adultos. Com uma atuação multidisciplinar, pautada na humanização e no acolhimento, promovemos mais qualidade de vida para pacientes, familiares e responsáveis.